EIS O FINAL DO TEXTO QUE PODE MUDAR SEU MODO DE VER A VIDA...
O Direito Ao Foda-Se (PARTE II- O resgate)
por Pedro Ivo Resende
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior
poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais
avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata,
pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo
imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez
proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de
alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado,
sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene
de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de
vez!".
Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente
proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais
libertário do que o conceito do ''foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha
auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me
liberta.". Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir
essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!".
O direito ao ''foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição
Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e FODA-SE.
DEPOIS DE MESES DE OMISSÃO, E DESLEIXO DOS ADMINISTRADORES DESSA MERDA DE BLOG, VENHO BRINDAR-LHES COM UM GRANDE TEXTO DE PEDRO IVO RESENDE, COM O QUAL CONCORDO 101%.
CONTRIBUIÇÃO DO SEMPRE DISCORDIANO MÁRCIO (PINGA , PARA OS MAIS CHEGADOS). DESFRUTEM DO PRAZER QUE É XINGAR....
O Direito Ao Foda-Se
por Pedro Ivo Resende
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e
criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a
maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo
fazendo sua língua.
"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de
muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito,
é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho,
o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de
cerveja pra caralho, entende?
No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta
negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não''! E tampouco o
nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade ''Não, absolutamente não!'' O
substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te
libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior
interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta
pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência.
Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM
FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se
encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o
CD do Lupicínio.
Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde
> nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo
escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível
imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional.
Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra
nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O
"porranenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível
bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa
denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos
"aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" -
presidente de porra nenhuma.
Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um
"Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim,
cadenciadamente, sílaba por sílaba...Diante de uma notícia irritante
qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu
eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e
sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de
maiores dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e
reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o
bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do
suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega!
Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua
vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na
face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e
renovado amor-íntimo nos lábios.
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